Coleta da Solidariedade
Dom Canísio Klaus
Bispo de Santa Cruz do Sul (RS)
A Campanha da Fraternidade está chegando ao seu momento culminante. Durante os 40 dias da quaresma conversamos sobre “o flagelo do tráfico humano” e pedimos ao Deus da Vida que nos convertesse para sermos “sensíveis às dores” das vítimas do tráfico. Agora chega o momento de mostrarmos o nosso compromisso “na superação deste mal”.
Uma das formas de mostrarmos o nosso compromisso é a “oferta de doações em dinheiro na coleta da solidariedade”. Conforme a CNBB, “a coleta é um gesto concreto de fraternidade, partilha e solidariedade, feito em âmbito nacional, em todas as comunidades cristãs, paróquias e dioceses”. E, mais do que isso, “a coleta da solidariedade é parte integrante da Campanha da Fraternidade”.
A oferta que fazemos resulta da renúncia e do jejum que fizemos durante o tempo da quaresma. O dinheiro que iríamos gastar com aquilo de que nos abstivemos não é para gerar poupança pessoal e nem para ser gasto durante os banquetes da Páscoa. A razão de ser do jejum e da abstinência é gerar poupança para ajudar as pessoas necessitadas. Conforme muito bem nos lembrou o Papa Francisco na mensagem da quarta-feira de cinzas: “A quaresma é um tempo propício para o despojamento, e nos faz bem questionar-nos acerca do que nos podemos privar a fim de ajudar e enriquecer a outros com a nossa pobreza. Não esqueçamos que a verdadeira pobreza dói: não seria válido um despojamento sem esta dimensão penitencial. Desconfio da esmola que não custa nem dói”.
Mesmo não sendo a única forma de mostrar solidariedade com as vítimas do tráfico humano, a coleta expressa o quanto nós conseguimos jejuar durante este período e o quanto a quaresma e a campanha da fraternidade conseguiram mudar as nossas vidas. Por isso é de se desejar que todas as famílias e todas as pessoas reservem algum dinheiro para ofertar na “coleta da solidariedade” e assim ajudar a Igreja em suas ações contra o tráfico das pessoas.
Todas as comunidades da Diocese de Santa Cruz do Sul são convidadas a realizarem a coleta durante as celebrações da Páscoa. As pessoas que não puderem participar destas celebrações poderão encaminhar a sua oferta diretamente para as secretarias das paróquias. O importante é que ninguém deixe de dar a sua contribuição.
Estamos convencidos de que “se muitos ofertarem um pouco do que tem” conseguiremos desenvolver grandes ações que beneficiarão as vítimas do tráfico humano e poderemos desenvolver ações que levem à erradicação deste flagelo que atormenta muitas famílias. Então sim poderemos viver como filhos e filhas de Deus, “na liberdade e na paz”.
Uma boa Semana Santa para todos!