O valor missionário e transformador da penitência

O valor missionário e transformador da penitência

O espírito de penitência que anima e inspira a Quaresma como tempo de preparação para a Páscoa é profundamente dinâmico e frutuoso, impulsionando a missão evangelizadora da Igreja. Este processo se verifica numa conversão para fora, deixando o egocentrismo e o individualismo do homem velho, para abrir o nosso coração para Deus e para os irmãos.

Também porque mortificando e purificando nossos desejos e apegos, assumimos atitudes solidárias, investindo na sobriedade e na partilha dos bens. As práticas do jejum, da oração e da doação, nos capacitam para enxergar o sofrimento e a dor alheia, vivenciando a compaixão e o comprometimento para com os crucificados de hoje. Mais a penitência nos aproxima da paixão e da Cruz salvadora, seguindo a Cristo servo e obediente ao projeto do Pai com autenticidade e determinação.

A grande armadilha espiritual do mundo de hoje é querer um cristianismo sem Cruz, complacente e genérico, com amenidades e distrações agradáveis e palatares para consumidores de religião. Um cristianismo light que não fale de pecado, de injustiças e de pobres, que seja conivente com a exploração e a corrupção, pois, afinal ninguém é de ferro. Tal proposta seria sem duvida uma caricatura de mal gosto, que terminaria por tornar insosso e insípido a força do Evangelho, aguando o vinho novo da conversão e santidade de vida.

A penitencia benfazeja como mestra da vida, vem nos entusiasmar com a renovação total dos nossos propósitos e atitudes, para tratar de ser e viver a santidade hoje, transparecendo o amor radical de Cristo. O verdadeiro cristão só tem um medo na sua vida, deixar que Cristo passe bem perto de nós e como diz Santo Agostinho, não sejamos capazes de desvencilhar-nos das coisas para segui-lo. Nesta linha de aprimorar a nossa conversão quaresmal, o Conselho Pontifício da Nova Evangelização, propôs que as Igrejas (pelo menos uma por Diocese) ficassem abertas 24 horas no dia 28 de março até as 17 horas do dia seguinte, para que as pessoas possam fazer sua confissão, preparando-se para a Páscoa. Deus seja louvado!

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo Diocesano de Campos (RJ)