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Horror da eternidade do mal

Horror da eternidade do mal

Por possuir as capacidades normais para se viver em bonança, o homem  pode esquecer quem realmente ele seja: um ser criado para viver feliz. Suas desgraças, misérias, e inequívocas escolhas ao mal não podem apagar o encanto que a vida presenteia a este frágil homem. Todos os dias ele é afirmado com a vida porque foi criado, mas a displicência para com a vida faz do homem um ser que se amedronta e se angustia enquanto vive. Deste modo, facilmente se torna presa indefesa de seus próprios medos. Leviano de sua própria consciência, pode pensar que há  lógica em acolher o mal como se o mesmo fosse eterno em sua vida porque está sempre exposto a ele. Assim se tem o grande horror da eternidade do mal.

_Mal como desejos impulsivos

Na meditação interior, uma razão para a presença da tristeza dentro de cada homem são as frustrações infundadas. Expectativas superficiais trazem a infelicidade para dentro do homem. Os sonhos elevados podem também recordar o que realmente está dentro dele nas suas realizações, porém se estas conquistas não o fizerem um homem feliz, estes ideais não passam de uma tristeza intimista. O interior não pode aquietar enquanto o mal ainda tiver força nas satisfações externas.

A vocação fundamental ao amor, pode sim, com a força do seu vigor, trazer felicidade ao homem, e ele, se deixando conduzir pela felicidade, consegue manifestar uma alegria que deixa para traz os desejos impulsivos que levam-no ao mal. Se desejar o que não pode ser conquistado pelo seu interior, as sombras das angústias, as manias negativas e tudo de podridão que se cultiva, pode ocupar o marasmo da vida. Envolve, deste modo, o desejo que distancia qualquer movimento que tende à gratidão. Fica tudo no passado.

Um desejo incompleto, manco, sem brilho, sem fervor porque se pôde abandoná-lo às realizações infundadas. Assim, as forças internas insaciáveis conseguem movimentar tão somente o externo do homem, enquanto seu interior, com a necessidade que se deve respeitar, ainda continua sendo um tropeço nos próprios desejos cultivados, os quais só podem trazer frustrações. Não permite alcançar as motivações nobres que moram no interior do homen.

Nas motivações nobres devem surgir uma realização que sobressai ao grande desejo incruento no qual se encontra um verdadeiro distanciamento das realidades infundadas que se cultivam como as mais inverídicas fundamentações. Um imperativo até equivocado das próprias forças emerge das entranhas fazendo refrear toda a agitação do agir? A ação do homem não pode deleitar no equívoco, senão no amor.

_O mal que se manifesta no pecado

A impetuosidade da ação maligna se move pela mediocridade das injustiças que se pode cultivar nas corriqueiras atividades. Das mais simples ações se podem chegar aos males mais lapidados e impetuosos. O mal vai ganhando força nas tarefas que ganham ressonância de expressão na vida do homem. Contudo, a necessidade absoluta que se deve manter é um diálogo, antes de tudo, com as verdades que habitam no homem.

_O mal como aceitação do erro

Não acolher as verdades inscritas na história humana faz do erro um aliado em potência, deixa de ser apenas uma esperança e traz, com tudo que ele é, a realização dos frenéticos desassossegos causadores do mal.

A acolhida do erro conduz ao mal. O mal, quando aceito e permitida sua proliferação na vida, destroça a verdade maquiando-a de um vidro transparente e frágil que se consegue enxergar sua ação, mesmo que de uma forma não tão evidente. Contudo, a fragilidade do mal se faz presente à medida que se abandona o erro.

Para que o homem lute contra o mal em sua vida, se faz necessário renunciar a si mesmo com todos os ditames que o leva a ter um mundo totalmente desconexo com a sua realidade. Seu sublime mistério de grandeza com as mais variadas realizações não passa de uma criação idealizada para sustentar a tão frágil vida que se mostra nas pequenas quedas.

A conclusão que se chega não parece ser tão satisfatória porque o homem não é eterno e por ser temporal, suas ações são exercidas no tempo.

Padre Joacir d’Abadia, filósofo autor de 12 livros, Especialista em Docência do Ensino Universitário e membro da “Academia de Letras e Artes dos Nordeste Goiano” (ALANEG), “Academia de Letras do Brasil” (ALBGO) e da “Casa do Poeta”.