A ARTE MAIS NOBRE
O Concílio Vaticano II, providencial tribuna de iluminação e animação da fé cristã no mundo de hoje, na Constituição Pastoral “Gaudium et Spes” (as alegrias e as esperanças) aborda o papel dos políticos, isto é, daqueles que, nos partidos e nas funções do poder executivo ou legislativo, servem e representam a inteira comunidade civil: “A vocação do político – diz o Concílio – é nobre e dignificante, pois é indispensável para o bom caminhar de um povo”. Com isso, está dito o quanto deve ser educada e comprovada a consciência do político e o quanto de honestidade, transparência e devotamento ao bem público se há de exigir dele. O político digno deste nome, – não o mercenário, nem o tratante – é chamado a colocar o legitimo interesse do povo – o bem comum – acima do seu bem particular, de sua classe social e de seu partido, vivendo no seu dia a dia o espírito de diaconia, isto é, de serviço à comunidade. Assim entendida e praticada, a política se torna um instrumento privilegiado para a construção de uma sociedade livre, justa e solidaria, que permita o desenvolvimento integral de seus filhos e a cordial fraternidade entre eles.
Papa Francisco, recebendo, no passado mês de março, os políticos da União Europeia, afirmou: “A política é uma maneira exigente de viver o compromisso cristão a serviço dos outros. Política é a arte de bem governar os bens públicos: a arte mais nobre, pois promove o bem de todos”. Todo cidadão tem o dever de participar do processo político, não se deixando corromper por interesses particulares e pelos jogos de poder. A vocação dos eleitos à vida política deve ser uma referência e um compromisso com a vida do povo, de modo especial, das classes mais humildes e desassistidas da sociedade. Tendo governos corruptos e corruptores o povo não poderá ter vida e vida em abundancia (Jo 10,10): se alarga o fosso entre ricos e pobres. Todo cristão é chamado assim a denunciar o que é fruto de roubo e desprezo pelos bens públicos, pois, eles pertencem a toda a comunidade e estão a serviço do povo: “Quem não se preocupa com o bem comum, não é um cristão, nem um cidadão” – finalizou o Papa.
Estamos em período eleitoral. Participar da vida de nossa cidade é expressão de fé. É hora de olharmos com o coração, cheio de amor, para o futuro das nossas jovens gerações. Saúde, educação e segurança são assuntos graves para a nossa fé cristã. Crer é comprometer-se, pois, a fé tem também uma dimensão política. O Reino de Deus, inaugurado por Jesus, já começou a brotar no sulco da história humana para que ela seja uma história de salvação. Vamos fazer a nossa parte, participando das votações: tenha um critério para a escolha dos seus candidatos. Pense nisso em família, discuta nas rodas de amigos, no seu trabalho e com os seus vizinhos. Procure se informar sobre os candidatos e os partidos, que eles representam. Dê um voto consciente e responsável para um futuro feliz da nossa querida cidade de Santo Antônio do Descoberto. Moralizar a política é uma exigência da sociedade de hoje e da dignificação da própria vida política.
Pe. Ernesto