DÁ-ME DE BEBER

DÁ-ME DE BEBER

Texto: Jo 4, 6-14.

Objetivo: Aprender a pedir.

Símbolo: Poço de água.

O individualismo cresce no mundo todo e de muitas maneiras. “Que cada um se vire e o outro que se arrebente”. Disse alguém: “Quando a dor do próximo não o afeta, quem precisa de ajuda é você”. Muitos passam fome e sede de justiça. O cristão não pode ficar indiferente.

Na cena, Jesus quis contar com o auxílio da Samaritana, a quem mostrou que estava com sede. Contou também com a ajuda dos apóstolos e hoje quer contar conosco na implantação do Reino de Deus. Sozinhos não vamos a lugar nenhum. Diz Santo Agostinho: “Necessitamos dos outros para sermos nós mesmos”. Só junto com os outros aprendemos a falar, a crescer e a superar-nos. Somos o que somos junto com os outros.

COMO REZAR?

Vamos com Jesus junto à fonte. Na cena, uma mulher, que já teve 5 maridos, se aproxima. Aliás, o pecado deixa de ser o polo que decide a proximidade ou afastamento para Jesus. O pecado não é o centro e não é o objetivo principal para Jesus nos Evangelhos. Jesus quer vida e saúde. Os pregadores antigos acentuavam o pecado e gritavam ameaças contra os pecadores. Mas, Jesus quer conquistar as pessoas, sejam ou não pecadoras, e quer curá-las.

Na cena, Ele se faz de necessitado. Ele mostra que precisa dos outros. Não sei se Ele desconfia quem é essa mulher. Faz-se humilde e se coloca diante da mulher como quem precisa dela. Pede com humildade, mesmo que essa mulher fosse uma vagabunda.  E, naquele tempo, a mulher era considerada inferior aos homens. Normalmente os homens não conversavam com mulheres fora de casa. Recebe a mulher e reconhece a necessidade que tem dos outros.

Para rezar a cena, examinemos nossos sentimentos diante de Jesus e da mulher, seja ela pecadora ou não. Na verdade, precisamos até de pessoas que julgamos inúteis. Jesus reconhece que precisa dessa mulher, que precisa dos outros e “precisa” de nós, de mim. Ele pede água, pede vida. Ele sabe que enriquece diante dos outros e com os outros. Não despreza ninguém. Não tem medo da impureza ou da miséria. Não tem vergonha de nós.

A samaritana faz uma grande descoberta, pois Jesus também se mostra como alguém que pode ajuda-la. Jesus não tem balde nem corda e o poço é fundo. Como poderia alcançar a água? Mas, Ele conta com a ajuda da mulher e tem outra água para lhe oferecer. A samaritana também descobre que depende de Jesus e dos outros em muitíssimas coisas. No mundo, há necessidade de muita outra coisa além de água. Descobre que sem os outros não conseguirá viver. Nem sequer teria vindo a esse mundo sem um pai e uma mãe. Além da água, precisa comida, afeto, apoio e um milhão de coisas. Quer a fonte da água viva.

Depois de explorar bem a cena com Jesus, examinemos os sentimentos, que nos invadem conforme aconselha Santo Inácio de Loyola. Conversemos com Jesus sobre o que sentimos. E, diante de Jesus, observemos também o que precisamos para viver e ser felizes. Precisamos de milhões de auxílios para conseguir avançar em nossa caminhada. Precisamos mais de alguns do que de outros. Jesus também quis contar sobretudo com Pedro, Tiago e João. Tanto nas alegrias do Tabor, como no Horto das Oliveiras. Ele pediu, convocou e acolheu a ajuda. E estamos com Ele para que o nosso relacionamento nos ajude a ser o que somos e o que ainda podemos ser. Acolhamos tudo o que Cristo pode ser para nós. Vejamos como Jesus olha para a samaritana e como olha para nós. Deixemos que Ele nos olhe como olha para a samaritana. E “olhemos” com o coração.

Peçamos a água que apaga nossa sede e garante vida. No pedir, reflitamos sobre os sentimentos de humildade, que Paulo da Cruz aconselhava ter antes de começar a meditação. Ele pedia humildemente fé, a caridade etc. Colocava-se diante de Deus com toda a humildade de coração, pois esperava receber o próprio Deus. Ele pedia Deus a Deus. E queria unir-se a Cristo e Cristo Crucificado para que Ele derramasse rios de água viva de amor e vida sobre ele e sobre toda da humanidade.

Jesus diz que tem uma água especial e que Ele é a própria FONTE (peghe, em grego) e que podemos nos afogar ou submergir NO MAR IMENSO DO AMOR DE DEUS (Paulo da Cruz). Se quisermos, podemos usar as sugestões do fundador repetindo jaculatórias ou perguntas, tais como: “Quem, como, quanto, porquê” etc. Podemos montar um verdadeiro diálogo com Jesus expondo nossas necessidades, nossa falta de água viva, de forças para continuar nossa caminhada no dia a dia. Vejamos o que Ele pede e como nos pede. Não só água. Vejamos como descobrimos quem Ele é para nós e quem são os outros para nós. E também quem somos nós para Ele. Abracemos Jesus e corramos a buscar os nossos irmãos, quer tenham sido os 5 maridos da samaritana, quer todos os necessitados do mundo.  

Se somos o que somos quando estamos diante dos outros, muito mais somos o que somos diante de Cristo. A samaritana até reconhece que precisou do Pai Jacó para ter o poço. E agora descobre que Jesus é a sua FONTE de vida. Ela precisou dos antepassados e precisa agora das pessoas presentes, mas, sobretudo de Jesus. Nós também precisamos dos outros que vieram antes de nós, de nossos pais, dos companheiros atuais e da FONTE DA VIDA.

Muita gente não sabe pedir e receber. Acha que os outros sempre precisam mais dele. Pensa até que ninguém o ajuda. Só ele ajuda e sabe fazer as coisas.  Se faz vítima e os outros são até um peso para ele. Só ele é que faz o mundo andar. É hora de reconhecer o que recebemos de Deus e de nossa comunidade, de nossa caravana para atravessar O DESERTO DA VIDA. Precisamos da Igreja, da comunidade e de cada pessoa que está ao nosso lado. Muitos podem oferecer baldes e cordas para ir até a água. Sem os outros não alcançamos o fundo do poço, não alcançamos a água.

Descubramos nossas dependências e agradeçamos. Lembremos sempre que somos o que somos junto com os outros. Disse alguém: “Eu sou eu e minhas circunstâncias”. Rezar é relacionar-se. Se não nos relacionamos com os outros, também não nos relacionamos com Deus. Dependemos também da terra, das árvores, dos frutos da terra e de toda a natureza.

Façamos nossos propósitos e passemos a agir com os outros, para os outros e sabendo receber dos outros, sobretudo de Deus. Maria soube receber. Recebeu sobretudo Jesus e o deixou crescer dentro dela. Não O abortou e se tornou cheia de graça. Acolhamos os rios de graça e de vida que se derramam em nós pelo Espírito Santo e através de tudo o que existe nesse mundo, agradeçamos até mesmo algum poço de Jacó para beber a vida que precisamos.  

PERGUNTAS:

  1. Você reconhece suas dependências dos outros e de Deus?
  2. O que você está recebendo dos outros e de Deus?
  3. Qual é a água que você pede e busca?